Gramática

“Então, Diana, numa frase tens os nomes, verbos e adjectivos…” interrompe-me: “e os cansativos! Que é quando uma pessoa está cansada de ler!!”

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Assistência a filho

É de noite, hora de deitar as crianças e, pois é, até tu dormes na boa a essa hora. Oito e meia? Nove? Queres lá saber, vamos todos dormir. Saltos, histórias, negociações para mais saltos e mais histórias até que finalmente está toda a gente na cama, tu na cama com o bebé já a mamar e a fechar os olhos.

“Mãe, tenho cocó…” pede a de três anos e sabes que vais ter de ir à casa de banho com ela, que a mais velha também se vai lembrar de querer mais alguma coisa e que o bebé, mesmo quaaaaaase, quaaaaaase a adormecer vai desatar aos gritos. Vais. Acontece tudo como tinhas esperado. Voltas para a cama, luzes apagadas.

Um jacto de vómito. Duas em três camas atingidas. O bebé está maldisposto.

O pai fica a gerir as camas e as miúdas, tu vais enfiar-te na banheira e ao puto. Mais gritos, ele a tremer de frio tu sem saberes se te secas, se o tiras da banheira, o que fazer à roupa toda vomitado que chega em barda ao chão…

Respiras fundo. Deixas as miúdas com o pai, vais dormir noutra cama e noutro quarto com o que está doente. Forras a cama com uma toalha. Ele quer mamar, de novo. Estamos despidos, o contacto da pele reconforta-nos, adormecemos. Pouco tempo depois ele contorce-se: novo jacto de vómito, acertou na cama apesar da toalha. Limpas como podes, ele está a cair de sono e cai mesmo sem que consigas limpar grande coisa. Adormeces: seja o que Deus quiser.

Esta cena repete-se umas quatro vezes durante a noite. Acordas, o cheiro a azedo na tua pele e cabelo vão ter de esperar, a mais velha tem que se preparar para a escola. Do alto dos seus seis anos já se vestiu e preparou a mochila sozinha, só está à espera do pequeno almoço quando chegas à cozinha. Entretanto desce o pai com a Teresa, vem bem disposta. Boa, não vomitou nem fez xixi na cama como nas duas últimas noites. Ninguém dormiu grande coisa, competimos com as olheiras. Mas pelo menos estão animados, felizmente deve ter sido só uma indisposição. Se calhar o pior já passou.

Vais tomar banho, de novo sentes-te gente. Sobreviveste, aguentaste e na máquina já rola a primeira leva de roupa.

O bebé quer colo, mama de novo. Está desconfortável: jacto de vómito. A tua roupa, o cabelo acabados de lavar…

Ligas para o trabalho: assistência à família.

Durante o dia sucedem-se os vómitos, vais rezando para que seja só ele. Que não desatem os três a vomitar as estopinhas.

Pode ser que amanhã ele já esteja bom, que já queira brincar, que já não precise de tanto colo e coma alguma coisa.

E tu? Tu vais trabalhar.

Neste tempo e neste país onde as leis e apoios de protecção à parentalidade apontam para escola mais cedo e mais tempo, os pais estão privados dos filhos. Os bebés são desmamados rapidinho, afinal as mães têm que se por em forma e aparecer saradonas em todos os aspectos o mais cedo possível. “Baby blues”, “mães galinha”? Tenham juízo, para isso existem os avós. Vão mazé trabalhar, encaixem, entrem na linha e não pensem demasiado.