Teresa

Adormeceu no sofá. Fui de mansinho tapá-la: sorriu ainda de olhos fechados. Aquele sorriso universal de conforto. Aquela brisa da mantinha a cobrir o corpo encolhido do frio levantou-lhe um pouco do cabelo.

“Mãe…” sussurrou.

Capaz de derreter o mais duro coração.

20 quilos a mais

Não quero fazer a apologia da gordura, tão pouco justificar o aumento de peso com as alegrias da maternidade: “ah estou gorda, mas tenho os meus ricos filhos e isso basta-me” isto existe? Não para mim.

Os vinte quilos pesam-me na roupa que já não me serve, na sombra assustadora que vejo na areia da praia, no espelho da farmácia onde me olhei de longe e não me reconheci. Isto aconteceu mesmo. 

Não sei como vou estar amanhã, sequer se vou estar viva. Vivo descontente com a minha imagem há tanto tempo que já dei comigo a ver fotografias de há meia dúzia de anos e pensei: espera, aqui não estava gorda! Mas vivia como se estivesse.

Portanto, “aqui e agora” tenho saúde, tenho três pares de mini bracinhos sempre pendurados no meu pescoço a destilarem amor. Voltei a correr, todos os dias um bocadinho. Não desistir, não entrar em obsessões. Persistir.

Já agora, o puto deixava-me dormir e era o céu. Mas, vá, quem nunca acordou seis a oito vezes por noite durante quase seis meses?

Conversas:

O David ao colo, inquieto a contorcer-se. Ponho-o na espreguiçadeira ao pé delas que estavam a brincar. Ficou contente e tenta meter-se com as irmãs, começando a palrar.

– Diana, vês? Ele queria estar aí, está a tentar falar com vocês.

– Teresa, fala aí com o David, que vocês falam os dois bebezês.

 

Em casa

Tenho muitas vezes saudades da minha casa. Da praia, do jardim. Daqueles caminhos onde durante três anos vi crescer a minha filha. Mas esta agora é a nossa e é difícil muitas vezes. Construir em conjunto é muito mais duro. 

  
E depois há coisas simples que adoro: uma noite calma, fresca sem vento.